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Dicas para atualizar a decoração
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Olá, pessoal. Como vocês estão?

Com toda essa repercussão sobre minimalismo, armário-cápsulas e perda de personalidade em troca de seguir uma moda, achei que era hora de fazer um post sobre o tema também.

Não é de ontem que nós percebemos que a vigência na decoração é a presença do cobre, do mármore, do cimento, dos canos e das suculentas, todos misturados numa coisa que chamam de industrial-escandinavo. Na moda, não se vê nada além do normcore, com suas blusas listradas, saias com botões, pins nas jaquetas jeans, camisetas estilo “escolar”, tattoo chocker, boxer braid, etc. Na fotografia, a ordem é claridade, sobriedade e minimalismo; e ai de não se manter o feed do Instagram organizado e coeso. No design de produto, geometrismo, cobre e industrial são as pedidas. No design gráfico, só se produz lettering em hotstamping acompanhado de folhas de monstera.

Mas onde eu quero chegar?

Que atualmente não se consome ou produz nada além disso; não se encontra mais personalidade nos produtos artísticos: todos abandonaram o que são em troca de ter um layout “minimalista” e um Instagram irreal.
Durante essa semana aconteceram duas coisas que me motivaram a escrever esse post. A primeira foi ter o Gema de Ovo citado pela Babee, em um desabafo sobre essa onda minimalista, como um blog inspirador e de personalidade. Na verdade, nunca tinha pensado no Gema e sua Identidade Visual como pertencentes a essa onda de sintetização e redução de informação, e ter visto ele ser citado como minimalista (e inspirador) foi uma surpresa para mim. O layout do Gema traduz o que eu e a Mariana somos como pessoas e designers: as cores usadas são as que nós mais gostamos; o logotipo foi elaborado a partir da minha letra, a pessoal, a que uso para assinar meus desenhos e contratos, e foi sempre assim desde o primeiro layout em meados de 2011; os grafismos que compõem o cabeçalho foram elaborados a partir de ilustrações nossas de desde quando éramos crianças, principalmente da época em que fazíamos mangá; as folhas e a mancha amarela (remete a pele de uma onça) representam a região Norte em que nascemos, e a constelação que compõe o cabeçalho faz referência ao nosso signo do zodíaco. Tudo isso foi pensado e elaborado durante muito tempo, bem antes dessa tendência minimalista, e representa quem nós duas somos e gostamos. É o nosso estilo como artistas e vai continuar sendo assim com o minimalismo em voga ou não. Dito isso, agora eu chego ao segundo fato que me fez escrever esse post.

Há alguns dias, uma pessoa que eu admiro muito na blogosfera mudou o layout do seu blog para um resultado muito semelhante à Identidade Visual do Gema, sob o pretexto de que estava homenageando o nosso trabalho por achar-nos inspiradoras. Um dos principais objetivos do Gema é realmente inspirar as pessoas, e por isso eu fico muito feliz, mas não dessa forma. Eu entendo muito bem a diferença entre cópia e inspiração: cópia ou plágio é a apropriação de alguma coisa ou parte dela; e inspiração, se basear em alguma coisa para produzir uma nova. Vejam bem, se basear, ou de acordo com o dicionário, servir de base para algo — o alicerce, e não a construção toda. Quando for se inspirar, abranja as referências para outras áreas e, principalmente, analise as suas próprias vivências. Não se pode se apropriar da ideia do outro, por mais interessante e inovadora que seja, e achar que está tudo bem só porque a tendência é essa. Propriedade intelectual, por mais que esteja disponível na web, continua sendo propriedade intelectual. A Identidade Visual do Gema é nossa propriedade, é resultado de uma reflexão interior, é a representação gráfica de quem são a Nayara e a Mariana. Não é porque a onda agora é layout minimalista que dá o direito de se imitar o do outro. A internet está virando uma vitrine de repetição e falta de originalidade que está me deixando preocupada. O pior de tudo é que por causa do minimalismo, e a errônea interpretação do que ele representa, eu perdi a propriedade da Identidade Visual do meu blog.

Concordo inteiramente com a Babee, com a Gabi e com a Bessie — não existe mais personalidade depois do minimalismo.

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Cabeçalho. 01

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Cabeçalho. 02

Essas duas imagens são dos dois últimos cabeçalhos do blog, que ficaram no ar, cada um, pelo período de um ano aproximadamente. Apesar da época em que cada um foi implementado, é possível ver que se mantém uma certa identidade entre elas, principalmente pelo uso de manchas de pincéis, padrões por repetição, grafismos simples, sobreposição de manchas, cores fortes e contraste de espessura, em uma composição milimetricamente bagunçada, que é o ponto forte do nosso estilo.

Essas características não são só visíveis no layout do blog, também é fácil perceber nos produtos que desenvolvemos, como o caso dos caderninhos. Isso porque essa é a nossa identidade, é o nosso estilo, vem de dentro da gente e não de fora — faz parte na nossa personalidade expansiva —, e é por tudo isso que, para nós, ela é tão única e marcante. É muito desolador ver outra pessoa usando esses conceitos como se eles se aplicassem a ela.

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Mas, enfim, sinto que já me prolonguei demais sobre esse assunto.

Para aqueles que estão na transição para o minimalismo, eu deixo um recado: criem, não peguem atalhos, mostrem a sua essência e saiam do lugar comum. Minimalismo não se resume a lettering e a fundo branco; minimalismo é sintetização.

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postado por
Nayara
Futura escritora e a mais velha das gêmeas. Gosto de desenvolver projetos e compartilhar o processo criativo nesse cantinho que tanto amo. Afinal, melhor do que criar é mostrar que é possível fazer as coisas você mesmo.
  1. Karupin 23/04/2016

    Hoe, meninas! Como estão?
    Fui pega de surpresa desde o início desta semana com artigos na blogosfera, expondo opiniões sobre a “tendência minimalista” e, agora vocês também falaram a respeito, me sinto confortável em comentar… ^^”

    Sinto que esta é uma grande oportunidade para se refletir não apenas sobre ela, mas todas essas pegadas que vocês citaram no início do texto, reproduzindo receitas prontas e ditaduras gráficas. É como aquelas tão criticadas tendências de moda, né? Nada se cria, tudo se copia e muito rápido.

    Eu me sinto dividida nessa questão, porque eu acho que a “receita” produz um conteúdo bonito que eu acabo admirando muito, mas me sinto uma “falha” por não poder reproduzir as fotos daquele jeito ou ter todos aqueles objetos top – e ainda tem outra parte, uns 20% da cabeça, dizendo “tudo bem, você não precisa fazer como os outros fazem”. No final, é esse grilo falante lógico que me faz concluir que tudo se move por curtidas, likes, compartilhamentos: se você segue a receita, tem mais chance de conseguir porque é tendência. Mas cadê “você”, a diferentona, diva da sua própria conta de blog, Facebook, Instagram, Snapchat etc. nisso tudo?

    Acho que está faltando aquele toque seletivo, no qual você é apresentada às tendências, como numa prateleira de supermercado, e tem o poder de escolher o que mais gosta, o que pode fazer/melhorar a partir daquilo e até que teto do orçamento você pode investir. Esse crivo, diria talvez “autoral”, exige um exercício de reflexão, autoconhecimento e discernimento a que não estamos muito acostumados – mas que o minimalismo e o armário-cápsula originalmente propuseram diante de um movimento consumista.

    No fim, perdemos o fio da meada, é isso, Arnaldo?

    … Será que eu pirei muito, meninas? XD

    Beijos~

    • Nayara Brito respondeu Karupin 24/04/2016

      Oi, Karupin. Como você está? Pirou muito não. Hahaha! Compartilho dessa mesma ideia. O impasse é real: sigo a “receita”, que já está pronta e rende bons resultados ou tento inovar mesmo sabendo que o resultado pode não ser tão bom quanto o esperado? Lá no fundo a gente sabe que o que manda é o que vai dar mais curtidas, likes e compartilhamentos, porque é isso que mede o sucesso de um produto de web. Mas será que vale a pena abandonar a criação em troca do que dá mais curtidas?
      Estou elaborando roteiros para gravar vídeos de DIY para o Youtube, mas estou na dúvida se elaboro produtos “minimalistas” (que vai me dar boas visualizações) ou se desenvolvo produtos diferentes (que pode não me dar boas visualizações). No fim, acredito que se deve aproveitar enquanto o minimalismo, ou outra tendência, não fica mainstream para se crescer junto com ela, porque querendo ou não, é uma boa oportunidade para alcançar mais público. Mas é aproveitar da maneira certa, colocando carga criativa em cima do trabalho para descaracterizá-lo como cópia ou plágio.
      Selecionar, é essa reflexão que falta. O mundo inteiro é um grande supermercado, basta a nós escolhermos aquilo que mais gostamos, mais nos representa, mais nos cativa e criar a partir disso. Dessa forma a criação é genuína, bem justificada, e cumpre o seu papel.

  2. bia reys 23/04/2016

    Dissestes muito bem o que tenho pensado sobre essa onda do minimalismo. Os blogs, ultimamente, estão todos muito parecidos uns com os outros por conta disso. Eu concordo que o minimalismo torna as coisas mais claras e objetivas, e que de fato estamos vivendo numa época de imediatismo, em que queremos as coisas com mais facilidade e objetividade, dai o minimalismo (essa coisa de armário cápsula) entra pra sanar essa necessidade… mas esse também é um risco que se corre ao seguir uma onda… digo, ficar igual ao restante, que é o que, no final das contas, acontece com as modas! É engraçado ver como essas coisas são, se por um lado a moda une pessoas pelo mesmo gosto, ela exclui outras…Mas o mundo sempre foi assim, e não creio que vá mudar tão cedo.
    A questão do plágio, nem vou comentar muito pq é algo que já está bem saturado mesmo, mas acho bom ver que as pessoas estejam falando mais sobre isso. Não sei se vocês acompanham outros artistas, mas alguns deles andaram falando sobre isso nessas ultimas semanas… 🙂

    • Nayara Brito respondeu bia reys 24/04/2016

      Sim, Bia, não se encontra mais diversidade nas expressões artísticas atualmente. Concordo contigo a respeito de que o minimalismo é necessário nesses tempos de excesso de informação, mas, indiretamente, isso fez com que as pessoas abandonassem sua personalidade. Isso sempre foi assim, as pessoas sempre seguiram modas, mas agora parece que está escancarado. Para uma pessoa ser bem vista na web, ela tem que ser antenada, “usar primeiro”, mostrar as novidades antes de todo mundo, porque ninguém quer acompanhar uma blogueira/youtuber/instagramer/etc atrasada, não é mesmo? É assim que a internet se transforma em uma fábrica de Kylie Jenners sem personalidade. É bem triste, mas espero que isso mude logo.

      • Barbara_Monteiro3 respondeu Nayara Brito 25/04/2016

        Eu também, adoro ver a opinião das pessoas sobre esse tema e seus depoimentos.

  3. Michelli Buzogany 25/04/2016

    Muuuito bom!! O post da Babee realmente foi ótimo, mas as pessoas tem que entender que tudo tem sua dose. Nada pode ser exagerado, o que parece que ninguém entende. Eu também entrei no minimalismo pra facilitar pra mim o blog, mas fiz tudo do zero pra ter a minha cara =D

    Mas essa coisa de seguir uma onda e perder a personalidade pra mim é osso, realmente dá pano pra manga.

    • Nayara Brito respondeu Michelli Buzogany 25/04/2016

      Sim, tudo tem que ser dosado mesmo e não podemos esquecer nossa essência. Concordo contigo, perder a personalidade em troca de seguir uma moda é fim de carreira. 😀

  4. Barbara_Monteiro3 25/04/2016

    Essa postagem está trazendo comentários bem reflexivos sobre o que está tendendo hoje em dia nos blogs. Uma coisa que eu andei lendo sobre, é exatamente a perda da essência do que era o blog. Desde que veio o dedo do lucro, os blogs não vem mais sendo consumidos como antigamente, pessoas com blogs super legais que eu me identificava fecharam porque não tinham mais views e perderam a vontade de continuar. Me parece que o cenário está assim, melhor eu ser superficial e ter muitos amigos do que ser mais profunda e ter poucos amigos.

  5. Babee 27/04/2016

    Fiquei bem triste de saber que se apropriaram da identidade de vocês 🙁 O mais engraçado do meu post é que muita gente me pareceu bem perdida no minimalismo, como se ele fosse um aliviador (?) de informação, mas tá mais pra um podador de criatividade, sabe? As pessoas acham que é receita pronta: AI LAYOUT LEGAL, VOU COPIAR! e esquece que ele sempre será o maior prejudicado, fora que criar algo que tem a ver com a gente é tão bom, keep up the good work <3